ANTONIO DE SOUSA MANGUEIRA
O PATRIARCA
Nascido no Ceará, na família Sousa Diniz de origem portuguesa, que eram cristãos novos, Antônio tinha quatro irmãos, sendo ele o mais velho.
É bem provável que os pais ou avós deles sejam portugueses. Não se sabe qual cidade do Ceará eram originados.
O pai de Antônio, homem forte, vinha sendo ameaçado por outro homem da região: dizia esse homem que não queria que ele passasse em frente a sua casa, mas, teimoso como era, continuava passando em frente à casa dele.
Sabendo disso, a mãe de Antônio alertava que seu pai andasse com um punhal e não com sua espada, como de costume. Segundo ela, numa briga corporal um punhal é mais vantajoso de que uma espada. Mas, o velho como sempre teimoso, não levava o punhal e sim, a espada.
Então, certa vez o velho saiu, andando a cavalo, e provavelmente iria passar em frente a casa do homem.
Antônio tinha 14 anos e seu irmão 13. A mãe deles disse pra eles portarem punhal ou faca e fossem seguir o pai, e assim, depois que o velho saiu a cavalo os dois jovens o seguiram pela estrada.
Como já era esperado, o pai dos meninos passou em frente a casa desse homem, que o atingiu a golpes e já estava a matar. Os dois jovens, vendo a cena, imediatamente atacaram e mataram o homem a golpes, e assim vingando a morte do seu pai em seguida.
Nessa briga, Antônio sofreu um golpe de faca na boca, e daí veio o apelido: Antônio Boca Torta.
A partir disso começou-se um grande conflito na região e a família de Antônio se escondia no mato para se defender das ofensivas da outra família.
Segundo os Antigos da família Mangueira, Antônio se escondia em lugares diferentes e para sua família o encontrar e levar comida, ele deixava pistas: escrevia nas árvores a palavra mangueira e assim seus familiares o achavam nas mangueiras. Daí veio a ideia para criar o sobrenome Mangueira.
Depois de um tempo, a mãe deles o enviaram para se refugiarem em Triunfo-PE, lá tinha um coronel, amigo da família, e por um tempo, por lá eles ficaram.
Esse coronel sabia das terras que ficavam no sertão da Paraíba, terras desabitadas, e os convenceram a desbravar tal terras. Essas terras hoje é cidade de Santana de Mangueira, no Vale do Piancó, sertão paraibano.
Esse coronel, ofereceu a Antônio uma de suas filhas como esposa, mas, ele preferiu uma índia, que era uma criada desse coronel e Antônio a tomou como esposa.
Essa índia era Antônia Lourenço de Sousa, matriarca da família Mangueira.
Antônio de Sousa Mangueira foi voluntario da pátria, lutou na guerra do Paraguai sobe o pelotão do General Manuel Luís Osório, onde enfrentaram e derrotaram as tropas do general paraguaio Pinto Madeiro. Quando voltou da guerra, Antônio teve seu crime perdoado pelo governo imperial e teve como posse em definitivo as terras do Serrote do Maxixeiro. A posse dessas terras, na época, se chamavam de datas.
Serrote do Maxixeiro, nome provavelmente criado por ele e lá ele fez uma vaqueirama. Era realmente, muitas terras.
Certa vez, Antônio estava trabalhando na roça, na sua fazenda. Ele escutou um tiro de bacamarte vindo da sua casa e de imediato sabia que era do seu. Chegando em casa, Antônia (sua esposa) disse que um homem (provavelmente um cangaceiro) estava batendo na porta da casa, ela então pegou o bacamarte de Antônio e atirou nesse homem. O tiro acertou o homem. Antônio viu um rastro de sangue e seguiu. Quanto ele chegou em casa, Antônia perguntou se ele tinha o encontrado, e Antônio disse: aquele não vai mais incomodar ninguém.
Antônio, devoto de Nossa Senhora Santana, no ano 1883 doou parte de suas terras para a santa, onde foi construída uma capela em sua homenagem. O lugar passou se a se chamar Mangueiras, e no ano de 1963 passou se se tornar cidade, sendo chamada de Santana de Mangueira. Os primeiros habitantes do povoado, que se tem notícias, eram descendentes de Antônio: Silvino, Olegario,Hormicindo, Sindonia, Benicio, Virgulino, Melquiades, Cabocla,entre outros (todos eram de Sousa Mangueira) netos de Antônio.
Adriano Diniz
No momento é tudo que sabemos sobre o patriarca. Novas informações, acrescentaremos.
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